A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais incapacitantes do mundo. Nos últimos anos, porém, o avanço da medicina trouxe novas possibilidades de controle das crises — especialmente com o uso de terapias injetáveis, incluindo toxina botulínica e anticorpos monoclonais específicos para enxaqueca.
Essas opções representam uma verdadeira mudança na forma como entendemos e tratamos a doença, oferecendo resultados mais consistentes, duradouros e com menos efeitos colaterais.
A mudança de paradigma no tratamento da enxaqueca
Por muito tempo, o controle das crises dependia quase exclusivamente de medicamentos orais. Embora essenciais, eles nem sempre eram suficientes, podendo gerar efeitos colaterais e, em alguns casos, até reforçar o ciclo da dor.
O surgimento das terapias injetáveis permitiu uma abordagem mais moderna e estratégica, atuando diretamente nos mecanismos responsáveis pela manutenção da enxaqueca.
Toxina botulínica: o marco inicial das terapias injetáveis
A toxina botulínica foi a primeira grande inovação para pacientes com enxaqueca crônica — definida como 15 ou mais dias de dor de cabeça por mês.
Seu mecanismo de ação vai além do relaxamento muscular:
Reduz a liberação de neurotransmissores ligados à dor (como CGRP e glutamato)
Ajuda a diminuir processos inflamatórios
Modula a transmissão da dor no sistema nervoso
Atua nos músculos envolvidos nos gatilhos das crises
As aplicações em pontos específicos contribuem para reduzir a frequência e intensidade das crises ao longo dos meses.
Anticorpos monoclonais anti-CGRP: uma revolução recente
Outra grande evolução no tratamento da enxaqueca são os anticorpos monoclonais voltados para o bloqueio do CGRP, um dos principais mediadores envolvidos na dor da enxaqueca.
Entre os mais utilizados estão:
Erenumabe (não está mais disponível do Brasil)
Galcanezumabe
Fremanezumabe
Esses medicamentos funcionam com “alvos inteligentes”, bloqueando de forma precisa o caminho químico que desencadeia a crise. Por serem extremamente específicos, oferecem:
Alta eficácia
Baixa taxa de efeitos colaterais
Alívio prolongado com injeções mensais ou trimestrais
Redução significativa dos dias de dor em pacientes refratários
Quem pode se beneficiar das terapias injetáveis?
Esses tratamentos são indicados sobretudo para pacientes que:
Têm enxaqueca frequente ou crônica
Não respondem bem aos medicamentos tradicionais
Apresentam efeitos colaterais com tratamentos orais
Desejam reduzir o uso excessivo de analgésicos
Têm crises que interferem na rotina e bem-estar
A escolha entre toxina botulínica e anticorpos monoclonais depende do quadro clínico, frequência das crises e avaliação neurológica.
Por que as terapias injetáveis representam um avanço importante?
A principal diferença é que elas atuam de forma preventiva, criando um ambiente neurológico menos propenso à dor. Isso permite que o paciente tenha:
Menos crises ao longo do mês
Crises mais curtas e menos intensas
Menor necessidade de medicamentos de resgate
Melhora significativa na qualidade de vida
Além disso, são terapias com esquemas de aplicação simples, geralmente mensais, e com excelente tolerabilidade.
O futuro do tratamento da enxaqueca
Com as terapias injetáveis, abre-se um caminho para estratégias cada vez mais sofisticadas, personalizadas e com foco na prevenção. Novas moléculas, combinações terapêuticas e abordagens integradas já estão em estudo, ampliando as possibilidades para quem vive com enxaqueca.
Conclusão
O tratamento da enxaqueca evoluiu de maneira expressiva com as terapias injetáveis, permitindo intervenções mais precisas, seguras e eficazes. Tanto a toxina botulínica quanto os anticorpos monoclonais representam um marco no cuidado especializado, oferecendo novos horizontes para pacientes que buscam alívio real e duradouro.
Com avaliação neurológica adequada, essas terapias se tornam ferramentas poderosas para transformar a rotina e devolver qualidade de vida a quem convive com crises frequentes.

